Onde se esconde o que aparece?

Por Hélio Strassburger

A ideia de uma região inconsciente como algo inacessível por inteiro, e com a qual se trava algum contato por atos falhos, lapsos, e outros mecanismos, ainda encontra seus adeptos. Talvez porque, até então, não se tivesse outros recursos metodológicos a atividade clínica.
Uma das críticas a essa forma de pensar, é a de que o inconsciente, ao ser algo desconhecido, poderia comandar – mesmo quando não se saiba – a vida das pessoas. Em outras palavras, inexistiria um sujeito em sua própria história.


Se reconhece a existência de um território inexplorado na alma humana, o qual se manifesta de um jeito próprio em cada pessoa. Por esse continente transitaram mentes brilhantes: Mesmer, Charcot, Freud, Anna Freud, Jung, Lacan, Melanie Klein, … Talvez a impossibilidade de um mapeamento subjetivo universal limite a percepção de que a natureza desse lugar (definido como inconsciente) se apresente pela singularidade.


Esse esboço trata das possibilidades de emancipação da pessoa como titular dos seus dias. Para filósofos existencialistas como: Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, inexiste uma essência a priori ao aparecimento e desdobramentos da vida. O que se escreve com a biografia de cada um é um devir numa historicidade que lhe pertence. Com essa escola se aprende que a essência é consequência da existência.


Por outro lado, na mesma direção, a investigação prossegue. John Searle em suas obras, especificamente: Intencionalidade e a Redescoberta da Mente, amplia a busca de superar a ilusão de um inconsciente. Seus textos demonstram que as ideias, escolhas, atitudes, estão relacionadas com a circunstância de cada um, inseridas num projeto em andamento. Isso se realiza através de um filtro, por onde a expressividade encontra os papéis existenciais de que necessita.


Seu aspecto se assemelha a uma bússola, para orientar a relação da pessoa com ela mesma. Não como algo distante de si, mas como integrante de sua estrutura de pensamento. A cada novo episódio, podem surgir ângulos desconsiderados da própria subjetividade, ressignificando modos de pensar, agir, existir.


Os movimentos oferecidos pela intencionalidade, associam tópicos estruturais, até então, à margem do centro das atenções. Uma dialética subjetiva reivindica a compreensão dos seus jogos de linguagem, num convite a sua fonte de originais. Em um fenômeno humano multifacetado, trata-se de acolher, descrever, traduzir o que se diz naquilo que se manifesta.

(Texto originalmente escrito na Revista da Casa da Filosofia Clínica em https://drive.google.com/file/d/1mEzGG8U5AupY79jaAyNnTCQItjvQkmoE/view )

Publicado por epochefilosofiaclnica

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