O que é a filosofia clínica?

É uma abordagem terapêutica criada pelo médico e filósofo gaúcho Lúcio Packter que a desenvolveu ao longo dos anos 1980 e iniciou a formação no Instituto Packter em meados dos anos 1990. Packter partiu de vinte e cinco séculos de conhecimentos filosóficos sobre a alma humana e a estruturou como um método de abordagem terapêutica.

No âmbito social, a Filosofia Clínica oferece uma perspectiva contra intuitiva nos dias de hoje onde a noção de normal ou anormal, de doença ou saúde está no âmbito daquele que fala por si mesmo, ou seja, o outro e não por padrões externos a ele. Portanto, a Filosofia Clínica não busca nem usa de parâmetros externos ou sociais para compreender ou “encaixar” o indivíduo. A Filosofia Clínica não tem teoria de nada e nem usa de teorias ou autores para compreender o outro. Nossa única “teoria” vem daquilo que cada um fala de si na presença de um Filósofo Clínico. É o Filósofo Clínico que tem que se “encaixar” no outro, e não o contrário. Com uma postura de um antropologista, a Filosofia Clínica procura compreender o outro nos termos, significados, sentidos, linguagem, práticas e valores daquele que narra sua própria história. 

Qual é o diferencial da filosofia clínica?

A filosofia clínica trabalha com o pressuposto da singularidade. Assim, cada pessoa, vista de modo único, não é diagnosticada de acordo com a “norma”. Conceitos como normal e patológico não cabem no processo. E os problemas do partilhante cessarão ou encontrarão alívio por meio de uma construção compartilhada com seu terapeuta. Além de poder ser feita em consultórios, a terapia também pode ser realizada em cafés, praças, parques, enfim, onde o partilhante encontrar ambiente que mais beneficie sua partilha.

O que assegura a idoneidade do filósofo clínico?

O filósofo clínico está submetido ao Código de Ética e ao instituto ou associação a qual é ligado. Além do Instituto Packter, criado pelo estruturador da filosofia clínica, Lúcio Packter, há outras instituições como o Instituto Mineiro de Filosofia Clínica, a Associação Nacional de Filósofos Clínicos, o Instituto Sul Catarinense, o Instituto Interseção, a Casa da Filosofia Clínica e outros. Todos seguem as mesmas diretrizes de atuação.

Quanto tempo leva uma terapia na filosofia clínica?

Estima-se que uma terapia leve de seis meses até dois anos, em sessões que podem iniciar semanalmente e, gradualmente, sendo mais espaçadas para a cada uma ou duas vezes por mês. Mas, como o que conta é a singularidade, cada caso deve ser analisado individualmente. Porém, é bom destacar que o método visa tornar o partilhante autônomo, de modo que não necessite de longos períodos de terapia, nem dependência do terapeuta. Há casos em que o partilhante, após a alta, busque o consultório de tempos em tempos apenas para ajustes ou atualizações. Em outros casos, na maioria deles, a alta é definitiva.

Quem pode ser partilhante?

A princípio, não há restrições. A filosofia clínica engloba desde partilhantes psiquiátricos até pessoas que, não se vendo incomodadas com algum problema específico, queiram promover um autoconhecimento. Em geral, os que procuram o filósofo clínico trazem questões sobre relacionamento, família, profissão, vocação, perda, indecisão, sentido etc. Até mesmo partilhantes acompanhados em outras modalidades terapêuticas tradicionais e alternativas (psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais etc.) podem ser beneficiados.